Quem quer fazer alguma coisa encontra um meio, quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa”

Muitos são aqueles que passam metade de suas vidas dizendo que vão fazer e a outra metade justificando porque nada fizeram.

Se metade do tempo que se perde com desculpas e justificativas fosse empregada para descobrir maneiras de fazer as coisas corretamente, o mundo estaria bem diferente.
Vamos falar de um homem chamado John Pierpont.

Quando John Pierpont morreu, era um fracasso consumado.

Em 1866, aos oitenta e um anos, acabou seus dias como funcionário público de baixo escalão, em Washington, e arrastava pela vida o peso de inúmeras frustrações.
No começo, até que as coisas foram bem. Formou-se na conceituada Universidade Yale, universidade da qual seu pai havia sido um dos fundadores, optando pela carreira de professor com entusiasmo e idealismo.
No magistério, porém, logo se revelou um fracasso. Era “mole” demais com os alunos.

E assim, Pierpont mudou de ramo: resolveu tentar um estágio como advogado. O fracasso, outra vez, não demorou a derrotá-lo. Era generoso demais com os clientes e excessivamente escrupuloso, o que o levava a escolher justamente as causas que davam menos dinheiro.

Como sua terceira opção, Pierpont tentou o mercado de secos e molhados: abriu um armazém. Novo fracasso, desta vez como comerciante. O homem simplesmente era incapaz de cobrar preços que lhe dessem lucro e não resistia aos pedidos de fiado.
Entre uma profissão e outra, Pierpont escrevia poesia, que apesar de ser publicada, não lhe rendia direitos autorais suficientes para que vivesse de seus versos.
Como poeta, então, também foi um fracasso.

E assim, acabou transformando-se em pastor protestante, estudou teologia na Universidade de Harvard, foi ordenado e mudou-se para uma paróquia em Boston. Mas suas posições a favor da Lei Seca e contra a escravidão puseram-no em confronto com os membros mais influentes da congregação, e Pierpont viu-se obrigado a renunciar.
Fracasso indiscutível, portanto, também como pastor.

A política parecia ser a atividade ideal para um homem como ele, e conseguiu ser indicado como candidato do Partido Abolicionista ao cargo de governador de Massachussetts. Perdeu a eleição. Sem esmorecer, candidatou-se ao Senado, e novamente perdeu a eleição.
Agora, era o fracasso político inegável. Com a Guerra Civil em andamento, Pierpont apresentou-se como capelão ao Regimento de Voluntários do Estado de Massachussetts. Pediu baixa quinze dias mais tarde, ao descobrir que não tinha estômago para guerras. Aos setenta e seis anos, portanto, revelava-se um fracasso até como capelão voluntário.
Alguém lhe conseguiu um emprego muito humilde, numa das subseções do Ministério da Fazenda em Washington, e lá nosso herói passou seus últimos anos de vida, abrindo e fechando gavetas de arquivos. Função para a qual, aliás, não revelou talento especial.
Morreu, como já disse, como um perfeito fracassado.

Não conseguiu fazer uma única das coisas que tentou, nem pôde ser um único dos personagens que escolheu.

Está enterrado em Massachussetts.

Sobre seu túmulo há uma pequena lápide de granito, com seu nome e alguns de seus fracassos:
John Pierpont
Poeta, pregador, filósofo, filantropo.
Com a perspectiva que só o tempo possibilita, pode-se ver hoje que não se tratou, afinal de contas, de um fracasso assim tão absoluto.

O homem empenhou-se por maior justiça social; lutou o mais que pôde para transformar-se num ser humano digno; engajou-se nas maiores questões de seu tempo e jamais perdeu a fé no poder da vontade.

Nisto, sim, teve sucesso. E, na verdade, muitas de suas tentativas, que ao calor da hora pareciam fracassos retumbantes, acabaram tendo melhor sorte. A educação foi reformada, os procedimentos legais modificaram-se, criaram-se leis de proteção ao consumidor e, é claro, a escravidão foi abolida.
Mas… por que estou falando disto?

A história de Pierpont nada tem de excepcional.

O caso Pierpont é especial apenas porque até hoje, uma vez por ano, no mês de dezembro, todos festejamos um de seus sucessos. O coração de cada um de nós se transforma num monumento vivo à sua memória.
Por causa daquela música.
É uma música muito simples, que celebra simplesmente a alegria de deslizar pelo escuro gelado das noites brancas, num trenó puxado por um cavalo. E ouvir o riso dos amigos e tanta gente cantando conosco.

John Pierpont compôs “Jingle Bells”.
Escrever uma canção que celebra a mais simples das alegrias, uma canção que trezentos ou quatrocentos milhões de pessoas cantam ao redor do mundo – gente que às vezes nem sabe o que é um trenó e nunca viu neve -, uma canção que todos, grandes e pequenos, reconhecem logo ao primeiro acorde do piano…

Ora, isto sim é sucesso!
Numa certa tarde de inverno, enquanto caía a neve, John Pierpont rabiscou numa partitura as notas daquela canção, pensando apenas em oferecer um presente original à sua família. E assim fazendo, deixou-nos um presente eterno de Natal, um presente fantástico, melhor que qualquer embrulho dos que ficam ao pé da árvore, um presente invisível, mas invencível: a alegria.

 

A “Mensagem para um Dia lindo” você ouve de segunda a sábado as 9 da manhã no “Alô Clube” pela Clube Fm 101,5.
Segunda-feira tem mais.

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